Filmes e Livros...
por Carlos Gaspar Jr.
Filmes baseados de livros não são nenhuma novidade, temos muitos exemplos dos tais “roteiros adaptados” na telona.
Sempre que assisto ao filme com essa característica fico pensando se seria melhor ler o livro antes ou depois... Na verdade vi os dois lados desta moeda (se é que vocês me entendem), eu já vi um filme antes e li o livro depois e já li antes e assisti ao filme depois. E na verdade por mais que o filme seja bom, como “Senhor dos Anéis”, por exemplo, posso garantir que o livro é sempre melhor.
Antigamente eu achava que um filme sempre seria melhor que o seu equivalente de papel (e celulose). Só mudei de opinião quando fui trabalhar em uma biblioteca e comecei a ler por prazer (é porque até os 20 anos a grande maioria das pessoas só lê o que vai cair no vestibular e olhe lá), mas quando eu tive acesso aos livros sem receber pressão para lê-los e gravá-los pra prova foi que percebi o quanto um livro é mais detalhista que um filme. Em um livro aquela velha frase “uma imagem vale mais que mil palavras” não faz nenhum sentido.
Bom, mas voltando ao assunto das adaptações, nesse meu grande hiato sem escrever assisti, entre outras coisas, dois filmes migrados da “literatura popular”... “Comer Rezar Amar” e o tão esperado “Harry Potter e as relíquias da morte”, nesses dois casos não posso dizer que os livros são melhores ou não porque sinceramente eu não cheguei a ler nenhum dos dois livros... rsrs! Mas a análise que posso fazer do primeiro é que o livro possivelmente deve ser muito melhor, não que o filme seja muito ruim, só que não me acrescentou nada, não foi como, por exemplo, quando assisti “O curioso caso de Benjamin Button” e saí do cinema me sentindo uma pessoa melhor, pois o filme te passa essa sensação. Eu li uma crítica rápida sobre esse filme (“Comer Rezar...”) no Guia da Folha onde um dos avaliadores dizia “uma comédia romântica de gente rica” (acho que foi mais ou menos isso... não me lembro exatamente a frase), mas o filme é isso, um bom passatempo, mas nada além disso, por isso acho que o livro, que ficou meses e meses na lista dos mais vendidos, deva ser bem melhor.
Já o segundo filme, “Harry Potter e as relíquias da morte” é até certo pondo fiel ao livro, claro que uma cena ou outra foi cortada para caber em 2 horas e pouco de filme (isso também aconteceu em outras adaptações como, por exemplo, a trilogia do “Senhor dos Anéis”), mas os fãs do bruxo não saíram decepcionados da sessão, pelo contrário, saíram ansiosos para que os 10 meses que separam a primeira da segunda parte do filme passe rápido (nesse tempo dá pra fazer um filho ou ler todos os 7 livros pra saber logo como a história acaba). Bom, não sei se isso acontece com os outros espectadores, que como eu não leram todos os livros (eu só li o primeiro), mas sempre fico pensando que está faltando alguma coisa, são muitos nomes pra guardar muitos detalhes que não lembro de um filme para o outro e algumas coisas acabam ficando mal explicadas, mas isso fica pra um outra ocasião, quem sabe daqui a 10 meses.
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Continuando a minha “dissertação” sobre filmes adaptados dos livros, consigo dividí-los em 3 grupos: Os bem adaptados / Os mal adaptados / E os que acabam ficando completamente diferentes dos originais (ou muito diferente do original).
Dos bem adaptados eu consigo me lembrar do “Senhor dos anéis”, a trilogia que talvez seja a melhor adaptação feita até hoje, isso falando em termos de produção e bilheteria, Legolas, Aragorn e seus amigos menores (piadinha infame essa com o anão e os hobbits... kkkk) conquistaram seguidores pelo mundo todo e ressuscitaram um livro que muita gente não conhecia, mas claro que muita coisa ficou de fora, os fanáticos podem falar melhor do que eu, mas mesmo com essa “enxugada” os filmes são ótimos e você não acaba de assistir e fica pensando que falta alguma coisa porque na verdade não falta.
Outro muito bem adaptado é “Meu nome não é Johnny”, além de um grande elenco o filme é fiel ao livro, claro que com a habitual “enxugada”, a única diferença nessa adaptação é que o livro é muito melhor, mas esse muito chega a ser infinitamente melhor que o filme que eu considero muito bom (então imagina o que vocês estão perdendo em só assistirem ao filme).
Ainda seguindo a lista dos bens adaptados chego a um caso curioso, “Crepúsculo”, mesmo todos os livros ainda não tendo sido adaptados, posso falar que os 2 primeiros (“Crepúsculo” e “Lua Nova”) são fiéis aos livros (sim eu confesso, eu li esses romances adolescentes feitos para menininhas apaixonadas, mas quero deixar claro que eu sempre torci pro lobisomem matar aquele vampiro que brilha no sol e tem jeitinho de... bom, deixa pra lá), não só são fiéis que me arrisco a dizer que ler os livros, nesse caso, é desnecessário porque o filme reproduz apenas as partes importantes do livro, sem aquela “lenga lenga” da menininha apaixonada (não consigo me conter).
Bom, vamos à segunda definição, os mal adaptados: encabeçando a lista temos “Eragon”. O filme é tão mal adaptado que não há a possibilidade de se fazer a continuação sem modificar toda a história (e pra quem não sabe são quatro livros e esse Best seller chegou a ser comparado com o “Senhor dos anéis”), isso tudo porque na empolgação dos filmes épicos que tinham feito sucesso na época de lançamento do livro (2003 EUA/Europa, 2005 aqui... lembrando que a trilogia do “Senhor dos Anéis” foi lançada em 2001/2002/2003 e o filme “Eragon” lançado em 2006), a pressão feita para o lançamento do filme não levou em consideração uma coisa muito importante, o escritor ainda não tinha terminado de escrever a trilogia (quando o filme foi lançado a saga de Eragon seria uma trilogia, hoje sabemos que o escritor não conseguiu fechar a história em apenas 3 livros e o último está sendo aguardado pelos fãs há mais de 2 anos).
Sendo assim, o filme foi feito sem a supervisão do autor dos livros e sem os roteiristas saberem o que era importante ressaltar no filme para depois encaixar uma continuação. Isso também aconteceu no recente “O ladrão de raios”, mas nesse caso não podemos culpar o escritor, pois ele já havia terminado os cinco livros da série “Percy Jackson & os Olimpianos” então a culpa é totalmente do roteirista, da produção e do diretor que pra mim foram preguiçosos e não leram os livros ou quiserem criar algo tão diferente que estragaram tudo (desculpa a revolta é que essa é uma das minha séries favoritas!).
Agora a última parte da minha definição, os que acabam ficando muito diferentes dos seus respectivos livros, e vamos deixar claro que nessa 3ª parte não se encaixam os que acabaram ficando diferente porque foram mal adaptados...
Bom, o que mais se encaixa nessa minha definição é o filme “Eu sou a lenda”, depois de ter assistido ao filme por diversas vezes (isso porque eu acredito que um dia o mundo ainda vai passar por isso, com as pessoas virando vampiros ou zumbis), resolvi ler o livro, pois como já expliquei os livros são muito mais detalhistas que os filmes, mas a surpresa foi que o livro é muito diferente do filme, no livro são criadas 3 raças de pessoas e o protagonista é um simples mortal, não é um pesquisador do exército como no filme, e pra acabar ainda com o que poderia ser uma ligação entre os dois, no livro ele nem tem um cachorro. Mas isso não tornou o livro menos interessante pelo contrário, o livro acaba dando um significado ao nome “Eu sou a lenda”, então posso dizer com toda a certeza que nesse caso temos 2 histórias diferentes com o mesmo nome e igualmente interessantes e boas.
O segundo caso que posso citar é “O curioso caso de Benjamin Button”, nesse eu posso afirmar que o filme é melhor que o livro, mesmo porque no livro a história não é tão destrinchada como na película, algumas diferenças são gritantes, a principal é que no livro Benjamin nasce velho, mas velho mesmo com barba comprida e o tamanho de uma pessoa da 3ª idade, o livro acaba sendo uma dissertação sobre aquela velha história sobre como a vida deveria ser, deveríamos nascer velhos para aprendermos as coisas e depois começar a ficar jovem e ir trabalhar e quando chegarmos à adolescência e na infância teríamos o vigor da juventude e a experiência que só a idade pode nos dar.
O livro tem essa mensagem bonita, mas o filme que chega a nos fazer chorar nos passa uma mensagem muito melhor, uma mensagem que nos faz querer aproveitar cada momento, que nos faz acreditar que um raio pode cair 7 vezes em um mesmo lugar mas que sempre temos que seguir vivendo e não importa se não somos especiais, o importante é sermos felizes e isso só se consegue vivendo.
Se um livro é melhor ou pior que um filme ou vice-versa acho que ninguém pode afirmar, eu tenho um grande amigo que me disse certa vez que “um filme sempre tem algo que vale a pena, mesmo que esse algo seja uma cena de poucos segundos”. Acho que isso também vale para os livros, na verdade o que sempre vale a pena são as histórias, no fundo “a vida não vale nada se você não tem uma boa história pra contar”.
Carlos Gaspar Jr. é radialista e pós graduado em cinema, é aficionado pelas produções nacionais, apaixonado por historias sejam elas escritas ou filmadas, cantadas ou narradas. O que importa é serem boas!

